A Realidade Antes do Prazer

 
Conheço várias pessoas que se inspiram em Carl Jung. Muitas seguiram diretamente pelo caminho do inconsciente coletivo, mas percebo nelas uma enorme ilusão. São o tipo de pessoa que confunde balões distantes com OVNIs. Basta qualquer estímulo para que o efeito místico da "Santa Maria" — para usar o termo do Padrinho Sebastião — se ative na imaginação.
O caminho da psicanálise freudiana, contudo, é a base para uma abordagem analítica sólida. O princípio do prazer faz com que a mente elabore o que traz satisfação imediata, mesmo que isso seja puramente imaginário. A queda de uma grande altura ou a velocidade exorbitante de um automóvel podem ser prazerosas no início; o fim da viagem, porém, costuma ser trágico.
É o princípio da realidade que nos leva ao destino por um caminho seguro, mesmo que a jornada pareça chata ou desconfortável. Em outras palavras: a mitologia existe em função da realidade, e não o contrário.
Não sou um profundo conhecedor teórico de Jung ou de Freud. No entanto, o meu histórico de aconselhamento e a minha experiência diária atendendo ao público no meu atual trabalho comercial — somados à leitura direta de alguns textos diretos desses autores e de seus comentadores —, dão-me total confiança no que afirmo aqui. É essa bagagem prática de observação humana que me fundamenta como mentor.


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