Discurso Luciferiano de Amor
O Maldito mandou seus discípulos abençoarem, enquanto ele mesmo amaldiçoava a figueira e seus adversários. "Ai de vós", dizia... Mas, malditos que somos, desobedecemos ao Deus que é amor. Maldito seja Deus! Maldito seja o Diabo, seu fiel servidor!
Nosso coração iluminado é livre de ódio, pois nenhum rancor guardamos. Isso não significa que joguemos o ódio diretamente sobre os outros. Basta odiar e amaldiçoar alguém interiormente ou em voz inaudível para os que estão próximos. Podemos desejar ao outro a morte e todo tipo de sofrimento, sem culpa! Afinal, ao aceitarmos o ódio como parte do que somos, encontramos paz dentro de nós mesmos. A morte aniquiladora do outro — inclusive do pai e da mãe — é o desejo santo e inconfessável que todos guardamos desde a infância. Dar importância excessiva a esse sentimento é o que gera o descontrole em palavras ou até em agressões físicas graves.
Desejei a morte de outros no cemitério. Lá estavam a vela preta, a vermelha e a branca. Lá estava a caveira, mesmo que fictícia, e o caixão com o nome ou algo que simbolizasse o desafeto. Rosas, cigarros... Laroyê! Antes eles do que eu! Diga, cristão, se não é essa a verdade!
Não confesse ao outro o seu ódio. "Falsos, porém amigos", dizia um padre conhecido meu, que se casou com outro padre! Apenas odeie, se é isso que deseja. Se não quer, não me impeça de odiar. E se fizer um trabalho ritualístico para matar, para o "mal", faça-o sem ódio. Seja frio como a faca que corta o pescoço do galo! Ou você prefere morrer no lugar dele?

Comentários
Postar um comentário