A Androginia das Bruxas

 Carrega a pessoa o Sol e a Lua dentro de si: o Eu, o Sol e a Lua. Pensei nas mulheres pois, sendo homem, tenho me expressado deste ponto de vista. Como andrógino empático, coloco-me no lugar de observação delas.

Embora identificadas com a Lua, num processo iniciático elas alcançam, então, uma elevada androginia. Não devem negar a realidade do corpo que têm. Isso sobressai, quer queiram, quer não. A magia funciona sincronizada com a realidade, e nossas escolhas são a ilusão de nossas escolhas. Elas têm um caldeirão e precisam de uma colher, enquanto nós, homens, temos um atame e precisamos de um cálice. 

O pai e a mãe – o Sol e a Lua – são, respectivamente, o atame e o cálice, como também, respectivamente, a colher e o caldeirão. O Universo é uma esfera infinita da qual o ponto central se chama Eu, pois este é também o nome do primeiro. Eu, desidentificado com o Todo, pego a varinha para lançar meu feitiço ou coloco o atame no cálice, também podendo mexer a poção que ferve no caldeirão. É nesse ponto que tanto faz ser homem ou mulher!

Posso, porém, sentar-me quieto sabendo que eu e o Todo somos Um. Eis aí quem se tornou verdadeiramente mago e andrógino.



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